
*Governo alemão e Cepal firmam acordo sobre desenvolvimento sustentável*//// <http://www.flickr.com/photos/garry61/3196957988/>
Um importante acordo para aprofundar o programa de cooperação entre o governo alemão e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe
(Cepal)
<http://www.eclac.cl/cgi-bin/getProd.asp?xml=/prensa/noticias/comunicados/0/36290/P36290.xml&xsl=/prensa/tpl/p6f.xsl&base=/tpl/top-bottom.xsl>foi
firmado na última semana, em Berlim, com o objetivo de promover iniciativas de desenvolvimento sustentável nos países latino-americanos e caribenhos até 2012. Ao todo, serão investidos 3,5 milhões de euros para levar adiante o projeto “Promoção do Desenvolvimento Sustentável e Correção Social na América Latina e Caribe: invertendo os bens públicos regionais”.
O programa começará a ser aplicado em 2010 e o trabalho conjunto promete abrigar as seguintes áreas temáticas:
• Mudanças Climáticas: novas oportunidades para a energia sustentável e eficiência energética; • Renovação do pacto fiscal; • Cooperação e Integração: invertendo os bens públicos regionais; • Fundo aberto para assuntos emergentes.
O governo alemão, por meio da Agência de Cooperação Técnica da Alemanha
(GTZ) apóia e financia projetos referentes à Cepal desde os anos 1990.
Em 2003, as duas instituições estabeleceram uma aliança estratégica com o objetivo de trabalharem conjuntamente em torno de temas voltados para o desenvolvimento da América Latina e do Caribe.
www.ecodesenvolvimento.org.br/conexao-onu/governo-alemao-e-cepal-firmam-acordo-sobre
Dilemas da esquerda
A vida do Partido Die Linke (A Esquerda) tem sido marcada pelas tensões entre seu ideal socialista, que permanece no horizonte, e a necessidade de defender políticas imediatas dentro da moldura do capitalismo triunfante na Alemanha, na Europa e quase no mundo todo – com exceção de Cuba. O novo partido, que tem dois anos de existência e 54 cadeiras no Parlamento Nacional, está colocado “entre duas eleições”: a do passado recente, em junho, para o Parlamento Europeu, e a vindoura, em setembro, para aquele. A análise é de Flávio Aguiar.
Flávio Aguiar
No fim de semana que passou (20/21 de junho) realizou-se a convenção nacional do Partido Die Linke (A Esquerda), em Berlim, com mais de 500 delegados presentes. A convenção foi marcada por chamados à unidade e por dissensões e diferenças agudas, mas sem que possam levar a rupturas notáveis, pelo menos no momento.
O novo partido, que tem dois anos de existência e 54 cadeiras no Parlamento Nacional, está colocado “entre duas eleições”: a do passado recente, em junho, para o Parlamento Europeu, e a vindoura, em setembro, para aquele.
Nas eleições para o parlamento da União Européia, Die Linke teve um desempenho que ficou aquém do esperado. Contavam os líderes do partido com uma votação de 10% na Alemanha, mas ele teve pouco mais de 7%.
Para as próximas eleições, o maior trunfo no horizonte do partido é a difícil situação do Partido Social-Democrata (SPD), que, embora tendo uma votação bem maior na eleição de junho, sofreu uma queda de tal monta que o resultado passou por uma grande derrota.
A vida recente do SPD foi marcada por uma série de dissensões internas, depois da indicação de Kurt Beck como líder do partido, de seu curto mandato e de sua renúncia, motivada pela crise interna. Beck representava a ala esquerda do SPD, e sua indicação provocou uma série de comentários e acusações de “populismo” na imprensa e em outros meios do seu próprio partido, entre outras razões pela sua disposição de estudar a possibilidade de alianças eventuais com a Linke.
Sem Beck, à direção do SPD retornou às mãos de políticos mais conservadores, que defendem e integram a coalizão com o partido de direita, a União Democrata-Cristã de Ângela Merkel. Entretanto tais políticos, como Frank-Walter Steinmeier (o novo líder oficial), e Franz Müntefering, carecem de maior carisma. Isso, em parte, pode ajudar a entender o relativo fracasso do SPD na eleição para o Parlamento Europeu, junto com o clima de dissensão interna e o currículo do próprio partido, que, a partir do fim dos regimes comunistas deu uma guinada pronunciada para a direita e para a defesa de políticas neo-liberais que ele mesmo implementou na Alemanha, enfraquecendo a capacidade de barganha dos sindicatos (tradicional base de sustentação do SPD) e piorando as condições de trabalho dos próprios trabalhadores.
A Linke nasceu há dois anos atrás com a fusão de quatro blocos
políticos: 1) dissidentes do SPD e de sua linha de defesa o ideário descendente do Consenso de Washington; 2) políticos ligados a frações do sindicalismo que deixaram de ter o SPD como referência; 3) remanescentes de correntes socialistas da Alemanha Oriental, inclusive do antigo Partido Comunista da RDA; 4) um conglomerado de tendências e movimentos socialistas, pequenos na maioria, e que representam tradicionalmente a esquerda mais radical. Os dois líderes máximos da Linke representam a dissidência social-democrata (Oskar Lafontaine) e os antigos socialistas (Lothar Bisky).
Outro político de grande expressão no partido, também procedente da antiga RDA, é Gregor Gysi. Gysi, advogado de formação, no passado defendeu dissidentes do lado oriental; mas também fizeram-lhe uma série de acusações de ter sido informante da Stasi, a polícia política do antigo regime.
O surgimento da Linke provocou uma maré de críticas na imprensa e em outros meios políticos mais conservadores levantando o argumento de “uma volta ao passado”, devido a ter o partido, ao contrário do SPD, acolhido o nome “socialismo” em seus programas e declarações. Além disso, a Linke marcou uma posição histórica por ser o único partido que defendeu, desde sempre, a retirada das tropas alemãs que fazem parte da presença da OTAN no Afeganistão. Ainda recentemente Gregor Gysi, perguntado sobre o tema por uma cadeia de TV alemão, respondeu que é posição do partido a idéia de que combater o terrorismo com uma ocupação militar só pode produzir mais terrorismo.
A vida da Linke tem sido marcada pelas tensões entre seu ideal socialista, que permanece no horizonte, e a necessidade de defender políticas imediatas dentro da moldura do capitalismo triunfante na Alemanha, na Europa e quase no mundo todo – com exceção de Cuba. A ala liderada por Lafontaine (e também por muitos políticos da ex-RDA) contempla, inclusive, a possibilidade de fazer alianças eventuais com o SPD – como acontece hoje, por exemplo, em Berlim, freqüentemente mencionada como a cidade da “aliança vermelha-vermelha (rot-rot)”, numa menção à esquerda do SPD, liderada pelo prefeito Klaus Wowereit, e aos “Linkes” que o apóiam.
Além da questão da aliança ou não com social-democratas (que em geral rejeitam a Linke, sobretudo na ex-Alemanha Ocidental (RFA), que desagrada sobretudo os grupos mais à esquerda, outros pontos de dissensão aparecem quando se trata de assumir uma crítica mais global e total do capitalismo como expressão principal do partido, ou uma série de propostas políticas mais ligadas ao contexto imediato, coisa que o partido tem feito preferencialmente, como adotar um salário mínimo (que não existe na Alemanha e é uma bandeira sindical significativa), melhorar o seguro desemprego e diminuir a idade exigida para a aposentadoria, que hoje é de 67 anos, e ainda ter uma política mais includente em relação aos imigrantes.
Refletindo essas tensões e a necessidade do partido ter propostas claras para a eleição de setembro, é que Gregor Gisy declarou, em meio a uma esfuziante ovação (que, esperemos, signifique realmente um passo adiante), que o partido precisava “se preocupar mais em atingir os eleitores, e se ocupar menos de nós mesmos”.
www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm
Grupos.com.br
17/6/2009
Entre Berlim e o Vaticano
"Nestas últimas eleições parlamentares os social-democratas e socialistas europeus não podiam ser vistos como uma alternativa frente à crise do modelo neoliberal porque eles são de fato uma parte essencial da própria crise e, além disto, não dispõem de nenhuma proposta específica para os impasses atuais da União Europeia", escreve José Luís Fiori, professor titular do Instituto de Economia da UFRJ, em artigo publicado na Carta Maior, 16-06-2009 e no jornal Valor, 17-06-2009. Segundo o economista, "as evidências são cada vez maiores de que Alemanha da Sra. Merkel está tentando reproduzir a estratégia da Prússia, a sua antepassada do Século XIX". Para isso conta com a grande novidade ideológica, em relação ao século XIX, trazida por Bento XVI.
Eis o artigo.
Pode parecer estranho, mas a crise econômica mundial não teve papel importante na vitória das forças conservadoras, nas eleições para o Parlamento Europeu do dia 7 de junho de 2009. Seu resultado final consolidou tendências que já vinham de antes da crise e apontavam, já faz tempo, para o fortalecimento da direita em toda a Europa, incluindo a Grã-Bretanha e a Espanha, onde os conservadores ganharam as eleições europeias mas permanecem na oposição nos seus países. Por outro lado, o comentado crescimento da "extrema direita" só se deu em alguns poucos países, pequenos e inexpressivos do ponto de vista eleitoral dentro da UE. Da mesma forma, a derrota dos social-democratas e o declínio da esquerda já vinham de antes e não reverteram nestas últimas eleições por uma razão muito simples: os social-democratas são parte essencial da própria crise.
Relembrando uma história conhecida: a social-democracia europeia abandonou a "utopia" socialista depois da II Guerra Mundial e só se converteu às teses e políticas keynesianas no final da década de 50. Mas, em seguida, a partir dos anos 70, aderiu às novas teses e políticas neoliberais hegemônicas até o início do Século XXI. E até hoje, na burocracia de Bruxelas e dentro do Banco Central Europeu, são os social-democratas e os socialistas que em geral defendem com mais entusiasmo a ortodoxia macroeconômica e liberal. Neste momento, por exemplo, o ministro das Finanças alemão, o social-democrata Peer Steinbruech, é considerado por todos como a autoridade financeira mais ortodoxa e radical nos governos das grandes potências capitalistas. Além disto, os social-democratas e socialistas europeus não participaram da origem do projeto de integração europeia e nunca conseguiram formular uma visão consensual do projeto de unificação.
Assim, nestas últimas eleições parlamentares os social-democratas e socialistas europeus não podiam ser vistos como uma alternativa frente à crise do modelo neoliberal porque eles são de fato uma parte essencial da própria crise e, além disto, não dispõem de nenhuma proposta específica para os impasses atuais da União Europeia.
Deve se ter em conta, entretanto, que se este resultado eleitoral era previsível, ele também não anuncia nenhuma grande novidade pelo lado conservador. Em primeiro lugar, porque não altera a correlação das forças fundamentais que já existia dentro do Parlamento Europeu. E, em segundo lugar, porque a multiplicação dos votos e das organizações conservadoras aumentou, em vez de diminuir, as divisões que já existiam dentro da direita e dentro dos 27 países que compõem a UE. Quase todos se opõem à entrada da Turquia na UE, querem acabar com a dependência energética da Rússia e defendem a repressão dos imigrantes islâmicos. Mas, ao mesmo tempo, a maior parte da "extrema direita" é contra a própria unificação europeia, e mesmo os conservadores ingleses são quase todos "eurocéticos".
Além disto, não existe neste momento um acordo sobre a política econômica para enfrentar a crise: mantêm-se as principais divergências estratégias entre os atuais governantes conservadores. Ou seja, as forças de direita que ganharam as últimas eleições parecem uma Torre de Babel mais confusa do que a Babel dos social-democratas e de toda a esquerda continental.
Mas, apesar de toda esta confusão, a Europa vai seguindo lentamente uma trilha que não aparece aos olhos do cidadão comum. O projeto de unificação europeia foi concebido originalmente, no início dos anos 50, em grande medida, para incluir e desmilitarizar a Alemanha e para conter a União Soviética, sob a batuta franco-americana. Mas, depois de 1991, este projeto virou de ponta-cabeça, com a reunificação da Alemanha e o fim da URSS. A partir daí, a Alemanha se aproximou da nova Rússia e estendeu sua influência a toda a Europa Central, alargando sua liderança econômica dentro da UE. Por isto, quando a primeira-ministra Ângela Merkel foi eleita, em 2005, pôde montar um governo de "união nacional" com os social-democratas, fortalecendo o governo e o Estado alemão para seu trabalho contínuo e silencioso em favor da aprovação da nova Constituição Europeia, o Tratado de Lisboa e pelo controle político de todos os novos Estados que se associaram à UE.
Mais recentemente, a Alemanha assumiu a liderança das posições ortodoxas dentro da Europa, transformando-se numa referência mundial na luta contra o intervencionismo estatal e contra qualquer tipo de ativismo do Banco Central Europeu. Decidiu absorver a sua própria crise, aceitando uma forte recessão e transferindo para os grandes países importadores a responsabilidade pela reativação da economia mundial. Além disto, vem utilizando o FMI para socorrer as economias da Europa Central, dependentes da sua própria economia.
Por onde se olhe, as evidências são cada vez maiores de que Alemanha da Sra. Merkel está tentando reproduzir a estratégia da Prússia, a sua antepassada do Século XIX. Em particular, a maneira em que a Prússia conseguiu expandir o seu poder, integrando na sua órbita de influência, um por um, todos os 36 Estados e quatro cidades livres da Confederação Germânica criada pelo Congresso de Viena de 1815, começando com a criação de uma União Aduaneira - o Zollverein, em 1834 - e culminando com a formação do Estado alemão, em 1871.
Este novo projeto alemão do Século XXI, entretanto, traz uma grande novidade ideológica com relação ao seu "modelo original" do Século XIX. No mesmo ano em que foi eleita a democrata-cristã, Angela Merkel, o cardeal alemão conservador Joseph Ratzinger foi eleito Papa. Desde então, apesar de suas "trapalhadas" internacionais, tem tido um papel decisivo na luta ideológica dentro da UE, defendendo a necessidade de a Europa voltar às suas raízes cristãs para recuperar sua identidade, sua força e sua liderança mundial. Daí sua crítica ao Islã e à entrada da Turquia na UE, e sua defesa da cristianização do projeto europeu, numa sintonia ideológica e religiosa cada vez mais fina entre Berlim e o Vaticano.
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Denúncia: como a Amazônia vira casa e móvel no exterior
Jun 10 2009 12:00AM
Autor: Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo
O que um programa de TV famoso nos Estados Unidos, como o Extreme Makeover, e o desmatamento na Amazônia têm em comum? Toneladas de metros cúbicos madeira.
Foi divulgado hoje uma reportagem, realizada pela Papel Social e nós da Repórter Brasil, mostrando como madeireiras flagradas cometendo crime ambiental têm parceiros comerciais de grande porte nos Estados Unidos, Europa, Asia e Oceania. Ou seja, madeira vendida por essas empresas se tornam pisos e móveis lá fora. A investigação, publicada na revista do Instituto Observatório Social, contou também com o apoio do Movimento Nossa São Paulo e do Fórum Amazônia Sustentável.
A rede de comercialização envolve corrupção em órgãos públicos ambientais, ineficácia de fiscalização e compradores desatentos.
Empresas como Madeball (R$ 1,5 milhões em multas ao longo dos últimos anos), Comabil (crimes ambientais, trabalho escravo, retirada de madeira de terra indígena, invasão de terra pública) e Rio Pardo Madeiras (opera com madeira oriunda de desmatamento) estão na base da cadeia. Enquanto isso, Vitória Régia Exportações, Pampa Exportações e Interwood Brasil atuam como elo de ligação comercial.
Por fim, empresas como Lumber Liquidators (possui 140 lojas nos Estados Unidos e fornece para o famoso programa Extreme Makeover, que também passa na TV paga brasileira), Brico Dépôrt (US$ 13,5 bilhões de faturamento e um dos líderes do mercado de construção “faça você mesmo” no Reino Unido, Itália, Polônia, Turquia e China), Robinson Lumber Company (vende produtos de madeira para mais de 70 países), Moxon Timber) atua nos EUA, Ásia, América Latina e Nova Zêlândia) estão no final da cadeia.
Segundo a investigação, 70% de toda a madeira comercializada no Estado do Pará, maior vendedor de madeira amazônica no Brasil, tem origem ilegal. Essa madeira passa por um processo de “esquentamento” que funciona dentro de órgãos do governo. Autoridades do Ministério Público Federal e do Ibama confirmam o esquema e apontam o envolvimento da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Segundo eles, o mercado de madeira amazônica é movido por um mercado paralelo – o de créditos de madeira. A descoberta do esquema leva à constatação de que o Pará é o segundo estado brasileiro que mais compra madeira, atrás apenas de São Paulo. O comércio, entretanto, não chega a ser consumado. O único produto que viaja é o papel que registra o crédito e que permite o esquentamento de milhares de metros cúbicos provenientes de terras indígenas, áreas de preservação permanente e demais regiões onde a exploração comercial é proibida.
Depois posto aqui o link para download da reportagem.
Em outubro do ano passado, a Repórter Brasil e a Papel Social já haviam lançado o estudo Conexões Sustentáveis - Quem se beneficia com a destruição da floresta (http://www.reporterbrasil.org.br/documentos/conexoes_sustentaveis.pdf), mostrando como mercadorias produzidas através de desmatamento ilegal, crimes ambientais, trabalho escravo e ataques a comunidades tradicionais chegavam à cidade de São Paulo e eram exportadas. O estudo mostra como grandes empresas, como frigoríficos, tradings, siderúrgicas, montadoras de carros, supermercados, madeireiras, construtoras lucram direta ou indiretamente com esse processo.
A reportagem publicada hoje traz novas explicações de empresas presentes na denúncia de 2008 devido a problemas em suas cadeias produtivas, como Tramontina, ADM, Marfrig, Quatro Marcos e Metalsi
Governo alemão será o segundo a doar recursos para o Fundo Amazônia02/06/2009 Local: Brasília - DF Fonte: Agência Brasil - EBC Link: www.agenciabrasil.gov.br
Alana Gandra
Até o final deste ano, o governo da Alemanha deverá fazer sua primeira doação ao Fundo Amazônia, criado em agosto do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O fundo se destina a captar recursos públicos e privados a partir de doações voluntárias, sejam nacionais ou estrangeiras, para investir em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento na Amazônia.
A contribuição da Alemanha deve chegar a 18 milhões de euros, o que equivale a cerca de US$ 30 milhões, de acordo com o superintendente da Área de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Sergio Weguelin. "Esse é um valor inicial", observou.
Até agora, o Fundo Amazônia tem assegurados US$ 110 milhões do governo norueguês. A Noruega se comprometeu a doar igual valor por ano para a preservação da região amazônica, até completar US$ 1 bilhão em 2015.
Outros países já demonstraram interesse em contribuir para o fundo, mas ainda não há negociações concluídas.
De acordo com o coordenador do Fundo, Eduardo Bandeira de Mello, também chefe do Departamento de Meio Ambiente do BNDES, há, também, a possibilidade de o Fundo Amazônia contar com doações de empresas e, até, de pessoas físicas.
Sergio Weguelin informou que esse processo de captação deverá ser iniciado pelo banco no próximo ano, inclusive no exterior. "Mas, só depois que o fundo estiver com um mínimo de histórico operacional, é que a gente vai mostrar como ele se estruturou, como está operando, para os futuros doadores."
Na última sexta-feira (29), foi realizada a primeira reunião do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), com 24 participantes, para discutir as estratégias e os possíveis projetos e ações.
Weguelin disse que a meta de arrecadação vai depender da redução do desmatamento na Amazônia. Se as reduções planejadas forem alcançadas no ritmo esperado, ele estima que haveria capacidade de captar cerca de US$ 17 bilhões até 2017.
Eduardo Bandeira de Mello afirmou que o BNDES já tem cerca de 30 projetos em perspectiva e nove cartas-consulta formalizadas, dentro do bioma amazônico ou que venham a beneficiá-lo, envolvendo nove estados brasileiros que fazem parte da Amazônia Legal.
Sergio Weguelin lembrou que 20% dos recursos do fundo poderão ser usados em outros biomas, inclusive em outros países, "desde que se destinem a projetos de controle e monitoramento das florestas".
Os primeiros desembolsos estão previstos para ocorrer nos próximos três meses. "Depois, entra em ritmo de cruzeiro, entrando e saindo todo mês", afirmou o superintendente.
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Informações sobre a Transposição.
Roberto Malvezzi (Gogó)
Muitas pessoas escrevem perguntando sobre a situação da Transposição do São Francisco. Na verdade, se hoje a obra estivesse pronta, não haveria como levar uma única gota d´água do São Francisco para os estados receptores. Todos estão se afogando em águas. Em todo caso, em vista do calendário eleitoral, as obras deram um avanço, ainda que pequeno para sua magnitude. Estive na região de Floresta-PE esses dias e repasso as seguintes informações:
1) Segundo o bispo de Floresta, D. Adriano, as obras do eixo leste avançaram aproximadamente 20 km desde a tomada da água. É só terraplanagem, não há revestimento dos taludes.
2) A obra pára quando chega na reserva biológica de Serra Negra, território dos índios Pipipã e Kambiowá.
3) A obra é retomada depois da reserva, de Ibimirim a Sertânia. Um trecho de aproximadamente mais 100 km. Apenas se avista o canteiro de obras. Tudo indica que é apenas terraplanagem.
4) No Eixo Norte temos menos informações. Tudo indica que a obra vai da beira do rio até à barragem do Trucutu, distante 6 quilômetros. Após a estrada a obra já tem alguns revestimentos.
5) Vale a pena esclarecer a questão da reserva biológica de Serra Negra. Segundo o professor João Luís, da cidade de Floresta, foi a primeira criada no Brasil, em 1950, por um pioneiro da ecologia brasileira, o pernambucano Vasconcelos Sobrinho. É uma área de Mata Atlântica de 1.100 hectares incrustada na caatinga. Foi uma das bases para que Aziz Ab Saber criasse sua teoria dos “refúgios”. Além disso, é uma área sagrada para os índios, onde moram os “encantados”, há muito tempo espaço de celebrações ocultadas da civilização branca. Portanto, uma área de importância inestimável.
6) Moradores de Floresta, em um seminário promovido pela equipe da Cultura da Paz da diocese de Floresta, mostraram-se estarrecidos com o desmatamento da caatinga e o envio da madeira para carvão. Também a retirada da areia do rio Pajeú, inclusive dos barrancos, gerou inundação cidade nas últimas chuvas, fato nunca antes acontecido.
7) O Coronel do Exército, responsável pelas obras, que não compareceu ao evento, disse ao pessoal responsável pelo evento que os canais serão rodeados por uma estrada de cada lado e, após a estrada, haverá uma cerca. Nessa estrada haverá guardas motorizados fazendo a vigilância dos canais para que ninguém se aproxime. É o mesmo esquema do “Eixão” no Ceará, que é o mesmo adotado em outros países, como a Índia, onde a água foi privatizada.
8) Quanto à revitalização, estão acontecendo obras de saneamento em quase todo o vale do São Francisco, o que é muito importante para a vida do rio e saúde do povo. Entretanto, o próprio bispo de Floresta disse que “chegaram a refazer a obra na avenida central da cidade quatro vezes”. Como em outras cidades, não há nenhum controle de qualidade dessas obras, muito menos controle dos investimentos. Como tudo vai para debaixo da terra, fica difícil fazer qualquer avaliação. Em todo caso, se os canais forem concluídos, o São Francisco será novamente abandonado à sua própria sorte.
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*_ESTADÃO – 28/05/2009_*
*Petrolíferas apoiam pesquisas com o etanol*
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Grandes empresas unem-se a pequenas companhias para desenvolver tecnologia nova para biocombustível
Clifford Krauss, The New York Times
Durante décadas, as grandes companhias de petróleo e o lobby agrícola disputaram sobre o etanol, com os fazendeiros promovendo uma maior produção dele e os refinadores argumentando que ele era ineficiente e pouco faria para solucionar os problemas energéticos do país.
Então, por que técnicos da gigante BP estão trabalhando numa usina experimental de etanol em Jennings, ajudando-a a se tornar mais eficiente? Os inimigos de outrora estão gradualmente aprendendo a se entender porque parece que os refinadores veem uma necessidade cada vez maior de se envolver na produção de etanol. O etanol, fabricado principalmente a partir do milho, representa hoje cerca de 9% do mercado de combustíveis do país. E essa porcentagem está crescendo. Com a sede por gasolina do país, e pelo etanol que é misturado a ela, que deve se reanimar quando a economia o fizer, as companhias de petróleo querem estar em posição de tirar plena vantagem da situação.
O interesse manifestado pelas grandes petrolíferas está chegando no momento oportuno para pequenas empresas que precisam desesperadamente de capital e não o conseguem nos mercados privados de hoje.
Tome-se o caso da Verenium Corp., uma pequena companhia de Cambridge, Massachusetts, que está testando em Jennings biocombustíveis em cooperação com a BP. Em vez de etanol produzido a partir de culturas de alimentos, os parceiros estão idealizando uma versão a partir de gramíneas da família da cana-de-açúcar.
Os experimentos são uma preparação para construir uma segunda usina de US$ 250 milhões na Flórida com a capacidade de produzir 36 milhões de galões por ano de novos biocombustíveis - a primeira usina comercial de seu tipo construída com dinheiro e expertise de companhias petrolíferas.
Cientistas da Verenium já desenvolveram um caldo secreto de enzimas e micróbios que fermentam e destilam biomassa em etanol. Agora a BP está contribuindo com expertise técnica para regular as temperaturas e pressões nos tanques.
O sucesso comercial não é garantido, é claro. Mas o fato de uma grande petrolífera fazer uma aliança com objetivos comerciais com a Verenium é considerado uma inovação para muitos executivos do etanol.
Há dois anos apenas, a BP contabilizava apenas um investimento minúsculo em biocombustíveis. Mas desde então, a companhia comprometeu US$ 1,5 bilhão em vários projetos. Além de seu trabalho com a Verenium, ela entrou numa parceria com uma empresa brasileira no ano passado para produzir o etanol de cana-de-açúcar.
As lições aprendidas na Louisiana poderão ajudar a converter a cana brasileira em biocombustíveis mais avançados, dizem pesquisadores, produzindo uma nova reserva potencialmente enorme para a BP.
A BP também fala com otimismo sobre uma parceria com a DuPont para testar a produção de biobutanol, um combustível de álcool líquido avançado que é produzido das mesmas plantas alimentícias que os etanóis avançados e é compatível com os oleodutos e os motores existentes.
Executivos dizem que o combustível poderá começar a ser produzido em grandes quantidades até 2013.
"Podemos ver os biocombustíveis como um reservatório potencial realmente grande", disse Phil New, presidente da Unidade BP Biofuels da companhia.
"Uma empresa de energia entrar na agricultura de cana-de-açúcar é uma medida muito significativa." As companhias de petróleo ainda estão céticas sobre o etanol convencional, especialmente o tipo produzido do milho, que, segundo elas, corrói oleodutos e é ineficiente.
A usina de Jennings é apenas um sinal de que as grandes companhias de petróleo estão aceitando os biocombustíveis ainda que de mal grado - em particular, aqueles feitos de restos e fontes não alimentares, que não carregam o estigma do etanol de milho de elevar o preço dos alimentos.
As petrolíferas dizem também que à medida que o petróleo bruto vai se tornando cada vez mais difícil e caro de encontrar, os biocombustíveis poderão reforçar suas reservas.
"Haverá uma demanda para todos esses combustíveis", disse Graeme Sweeney, vice-presidente executivo para combustíveis futuros e dióxido de carbono da Royal Dutch Shell. Ele previu que o 1% dos combustíveis de transporte do mundo que é hoje biocombustível "poderia facilmente ser 10% na próxima década , aproximadamente." A Shell foi a primeira grande petrolífera a se aventurar significativamente nos novos biocombustíveis, em 2002 quando forneceu dinheiro uma companhia canadense, a Iogen Corp., para pesquisar a fabricação de etanol de sobras vegetais.
A Shell também formou parcerias com várias companhias pequenas que trabalham melhorando enzimas que decompõem várias plantas e materiais e dejetos para etanol, produzindo combustíveis de algas e até biogasolina de líquidos açucarados derivados de vegetais. A Chevron formou uma joint venture com a Weyerhaeuser para desenvolver biocombustíveis de sobras de madeira.
E a Valero Energy Corp., a maior refinadora de petróleo do país, abocanhou sete usinas de etanol de milho da VeraSun Energy nos últimos meses desde que a VeraSun entrou com pedido de concordata no final de 2008.
"Se dependermos demais das grandes petrolíferas para avançar a agenda do biocombustível", advertiu Jeff Broin, presidente executivo da produtora de etanol Poet, "estaremos usando grandes volumes de petróleo ainda por muitos e muitos anos." Mas, tomados em conjunto, os projetos de pesquisa e acordos são um forte contraste com os projetos reduzidos de petrolíferas em outras fontes de energia alternativas como hidrogênio e solar. E a ajuda é bem-vinda para pequenas companhias empreendedoras que são boas em novas tecnologias, mas fracas em capital.
Informações sobre a Transposição.
Roberto Malvezzi (Gogó)
Muitas pessoas escrevem perguntando sobre a situação da Transposição do São Francisco. Na verdade, se hoje a obra estivesse pronta, não haveria como levar uma única gota d´água do São Francisco para os estados receptores. Todos estão se afogando em águas. Em todo caso, em vista do calendário eleitoral, as obras deram um avanço, ainda que pequeno para sua magnitude. Estive na região de Floresta-PE esses dias e repasso as seguintes informações:
1) Segundo o bispo de Floresta, D. Adriano, as obras do eixo leste avançaram aproximadamente 20 km desde a tomada da água. É só terraplanagem, não há revestimento dos taludes.
2) A obra pára quando chega na reserva biológica de Serra Negra, território dos índios Pipipã e Kambiowá.
3) A obra é retomada depois da reserva, de Ibimirim a Sertânia. Um trecho de aproximadamente mais 100 km. Apenas se avista o canteiro de obras. Tudo indica que é apenas terraplanagem.
4) No Eixo Norte temos menos informações. Tudo indica que a obra vai da beira do rio até à barragem do Trucutu, distante 6 quilômetros. Após a estrada a obra já tem alguns revestimentos.
5) Vale a pena esclarecer a questão da reserva biológica de Serra Negra. Segundo o professor João Luís, da cidade de Floresta, foi a primeira criada no Brasil, em 1950, por um pioneiro da ecologia brasileira, o pernambucano Vasconcelos Sobrinho. É uma área de Mata Atlântica de 1.100 hectares incrustada na caatinga. Foi uma das bases para que Aziz Ab Saber criasse sua teoria dos “refúgios”. Além disso, é uma área sagrada para os índios, onde moram os “encantados”, há muito tempo espaço de celebrações ocultadas da civilização branca. Portanto, uma área de importância inestimável.
6) Moradores de Floresta, em um seminário promovido pela equipe da Cultura da Paz da diocese de Floresta, mostraram-se estarrecidos com o desmatamento da caatinga e o envio da madeira para carvão. Também a retirada da areia do rio Pajeú, inclusive dos barrancos, gerou inundação cidade nas últimas chuvas, fato nunca antes acontecido.
7) O Coronel do Exército, responsável pelas obras, que não compareceu ao evento, disse ao pessoal responsável pelo evento que os canais serão rodeados por uma estrada de cada lado e, após a estrada, haverá uma cerca. Nessa estrada haverá guardas motorizados fazendo a vigilância dos canais para que ninguém se aproxime. É o mesmo esquema do “Eixão” no Ceará, que é o mesmo adotado em outros países, como a Índia, onde a água foi privatizada.
8) Quanto à revitalização, estão acontecendo obras de saneamento em quase todo o vale do São Francisco, o que é muito importante para a vida do rio e saúde do povo. Entretanto, o próprio bispo de Floresta disse que “chegaram a refazer a obra na avenida central da cidade quatro vezes”. Como em outras cidades, não há nenhum controle de qualidade dessas obras, muito menos controle dos investimentos. Como tudo vai para debaixo da terra, fica difícil fazer qualquer avaliação. Em todo caso, se os canais forem concluídos, o São Francisco será novamente abandonado à sua própria sorte.
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Transposição do rio São Francisco- O silêncio da mídia Observatório da ImprensaHelington Rangel - Economista e professor universitário, Belo Horizonte, MG27/05/2009
Por Helington Rangel em 26/5/2009
Após a polêmica, quase sem fim, entre lideranças políticas, ambientalistas, produtores rurais e acadêmicos, a imprensa cessou o alarido sobre o projeto de transposição do rio São Francisco, principalmente quando persiste a condenação ao governo federal: a implantação, já em andamento, pode pôr em risco a quantidade de água, sem medidas concretas de revitalização.
A badalação de 100 anos - desde o Império que se propaga a transferência de um pedaço do rio São Francisco para os estados do Nordeste setentrional - transformou o projeto num dos maiores mitos do país, somente igualável à rodovia Transamazônica pelas suas proporções gigantescas.
À primeira vista, demonstrar reação ao projeto pode parecer desconfortável, pois é dissecado como um dos instrumentos para estancar a estiagem no semi-árido. Porém, não faltam argumentos contrários à obra: os gastos têm força para bombear mais de R$ 20 bilhões dos cofres públicos. As contradições na análise técnica perduram em cena, sobretudo quando se avalia o atendimento às populações marginalizadas.
Politicamente, o projeto não condiz com o raciocínio lógico, pois é semente de conflitos entre estados do Nordeste, além da hipótese de comprometimento da vazão na calha do rio - e as bacias hidrográficas receptoras apresentam disponibilidade per capita semelhante à dos moradores às margens do São Francisco.
Aventura desastrosa ou registro histórico?
A obra envolve impactos ambientais, econômicos, políticos e sociais. Contudo, os órgãos de difusão da informação não provocaram mais ruído, estabeleceram silêncio sobre o assunto, quando homens e máquinas já operam no espaço demarcado pelo projeto.
As divergências de natureza política, interesses econômicos implícitos, ausência de consenso técnico entre especialistas ainda sobrevoam a idéia articulada na administração Fernando Henrique Cardoso. Entretanto, nada mais sensibilizou a mídia para bisbilhotar o que está ocorrendo na mudez do próprio governo.
No México, existe a tragédia da transposição do rio Colorado: as águas empacam a 100 quilômetros do mar, produzindo a salinização de terreno fértil. Outro exemplo da intervenção humana nos recursos hídricos: o rio Amarelo, China, detém-se a 550 quilômetros da foz, sem tocar no oceano até nove meses do ano. Resultado: milhões de pessoas abandonaram seus lares. O malogro clássico: entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, Ásia Central, o Mar de Aral possuía 66 mil quilômetros quadrados - e o desvio das águas para irrigação reduziu-o a um terço do tamanho original. O fiasco de engenharia impactou a economia regional, especialmente a pesqueira. A população convive também com doenças disseminadas pelas toneladas de sal e pesticidas, sopradas pelos ventos.
Talvez a abstenção voluntária de falar da imprensa esteja sendo reservada para escrever sobre a mais nova aventura desastrosa do ser humano ou possibilitar o registro histórico para a posteridade do feito memorável de um governo, que já se mira como lendário
Dom Luiz Cappio ganha prêmio na Alemanha
Cristina Laura, da Sucursal Juazeiro
[D. Luiz Cappio fez greve de fome em 2007, para tentar impedir início
das obras da transposição]
D. Luiz Cappio fez greve de fome em 2007, para tentar impedir
início das obras da transposição
O bispo de Barra, Dom Luiz Flávio Cappio, recebe neste sábado, 9, em
Freiburg, na Alemanha, o Prêmio Kant de Cidadão do Mundo em
reconhecimento à sua luta pelos povos do Nordeste e contra a
transposição do Rio São Francisco. Este é o segundo prêmio internacional
que o bispo recebe.
O primeiro foi o Prêmio Pax Christi, em outubro de 2008, na cidade de
Sobradinho (558 km de Salvador). Para Dom Cappio, o prêmio é o
reconhecimento internacional “a uma luta que é plural e em defesa da vida”.
Além de receber o prêmio, ele aproveita para divulgar na Europa a
campanha “Povos indígenas em favor do rio São Francisco e contra a
Transposição”, lançada no dia 6 de maio juntamente com as comunidades
indígenas trukás, tumbalalá, pipipã e kambiwá, entre outras, na qual
denuncia como a transposição do Rio São Francisco afetará a vida dos
índios da região Nordeste.
O cacique Neguinho Truká, da Ilha de Assunção (PE), espera que a
campanha ajude a resolver as questões indígenas que estão emperradas,
principalmente quanto à demarcação das terras Trukás. Hoje existem
4.200 índios Trukás vivendo dentro da reserva da Ilha de Assunção e
1.800 fora da Ilha.
“Todos aguardam que o governo acelere a demarcação das terras. Fomos a
Brasília e entregamos a carta-denúncia a autoridades como Marina Silva e
discutir temas de interesse das comunidades indígenas como as
construções de barragens, a transposição e o efeito do PAC em áreas
indígenas”, afirmou o cacique.
Os problemas enfrentados pelos índios nordestino será levado ao
conhecimento dos europeus por Dom Luiz Cappio. Na Alemanha e na Áustria,
ele participa de atividades que incluem visitas a cinco cidades
européias, encontros com políticos, tomadores de decisão, representantes
religiosos e a sociedade civil organizada que o apoiaram na ocasião do
jejum em 2007.
Dom Luiz diz que o prêmio é direcionado “a todos aqueles que estão em
sintonia com a luta pelo São Francisco, como os vários segmentos sociais
e as várias ONGs que lutam pelos povos do rio como as comunidades
ribeirinhas, as nações indígenas e o povo quilombola”. Apesar de feliz
com os prêmios ressalta que fica triste e indignado “com aqueles que
estão cegos, surdos e se calam diante dessa luta”.
De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a campanha tem
intenção de pressionar o Supremo Tribunal Federal a julgar ações
judiciais pendentes contra o projeto de Transposição das Águas do Rio
São Francisco, em especial a que trata das terras indígenas afetadas.
A pressão virá através de um conjunto de ações que incluem relatórios,
mobilizações e petição popular e entre as reivindicações está a
realização de Audiências Públicas democráticas, para garantir o direito
de participação popular na formulação e implementação das políticas do
Governo Federal na bacia do São Francisco.
Uma das pendências a serem julgadas é a Ação Direta de
Inconstitucionalidade 4113 que aponta irregularidades cometidas no
período anterior ao início das obras de transposição.
Segundo a CPT, a Constituição Brasileira, no seu artigo 49, a
implantação de empreendimento que envolve terras indígenas, deve ser
precedido de consulta ao Congresso Nacional. “As obras de transposição
foram implementadas ignorando essa condição e 33 tribos indígenas estão
sendo afetadas pelo empreendimento”, afirmam.
*_http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=1142331_*
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São Francisco Vivo: Terra, Água, Rio e Povo!
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Jornal A Tarde, 09/05/2009
O bispo de Barra, dom Luiz Flávio Cappio recebe hoje, em Freiburg, na Alemanha, o Prêmio Kant de Cidadão do Mundo em reconhecimento à sua luta pelos povos do Nordeste e contra a transposição do Rio São Francisco.
Este é o segundo prêmio internacional que o bispo recebe.
O primeiro foi o Prêmio Pax Christi, em outubro de 2008, na cidade de Sobradinho (558 km de Salvador). Para D. Cappio, o prêmio é o reconhecimento internacional "a uma luta que é plural e em defesa da vida".
Além de receber o prêmio, ele aproveita para divulgar na Europa a campanha "Povos indígenas em favor do Rio São Francisco e contra a Transposição", lançada no dia 6 de maio juntamente com as comunidades indígenas trukás, tumbalalá, pipipã e kambiwá, entre outras, na qual denuncia como a transposição do Rio São Francisco afetará a vida dos índios da região Nordeste.
O cacique Neguinho Truká, da Ilha de Assunção (PE), espera que a campanha ajude a resolver as questões indígenas que estão emperradas, principalmente quanto à demarcação das terras trukás. Hoje existem 4.200 índios trukás vivendo dentro da reserva da Ilha de Assunção e 1.800 fora da ilha. "Todos aguardam que o governo acelere a demarcação das terras", observa.
D. Luiz receberá Prêmio Kant de Cidadão do Mundo
Após o recebimento do prêmio Pax Christi, em outubro de 2008, o bispo da Diocese da Barra, D. Luiz Cappio, será homenageado mais uma vez. No dia 9 de maio, D. Cappio receberá na cidade de Freiburg, na Alemanha, o Prêmio Kant de Cidadão do Mundo, dado pela Fundação Kant.
Essa é a terceira edição do prêmio que homenageia personalidades que se destacam pelo engajamento corajoso na defesa de grupos sociais marginalizados politicamente e socialmente, a favor dos direitos humanos e em defesa das bases sociais, naturais e culturais da vida. Idéias inspiradas na filosofia moral de Immanuel Kant.
O evento homenageará também Jeff Halper, Professor de Antropologia e ativista de direitos humanos, que protestou contra a destruição de casas de palestinos na Faixa de Gaza e terá a presença de Richard Falk, relator especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Agenda política
Além do prêmio, a viagem de D. Cappio a Europa inclui uma agenda extensa de visitas e encontros que terão como principal objetivo retomar o debate sobre a transposição do rio São Francisco na Europa e o apoio solidário à luta em defesa do rio São Francisco e do Semi-árido brasileiro.
A programação inclui encontros com políticos, tomadores de decisão, representantes religiosos e a sociedade civil organizada, que na ocasião do jejum de D. Luiz Cappio, em 2007, apoiou maciçamente o bispo através do envio de cartas e emails. Na época foram mais de 20.000 manifestações eletrônicas de apoio encaminhadas ao gabinete do Presidente da República do Brasil e ao Ministério da Integração Nacional, órgão do governo responsável pela obra da transposição do rio. Estão programadas visitas às cidades alemãs de Frankfurt, Berlim, Bonn, Bremen e à cidade austríaca de Graz, juntamente com uma visita ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, na cidade francesa de Strassbourg.
A agenda inclui também a participação, no dia 21 de maio, no 32º Kirchentag, o mais importante evento religioso em solo alemão. Promovido pela Igreja Luterana, o encontro ecumênico é conhecido por ser um movimento livre de pessoas cristãs que, a partir de uma visão crítica, estão engajados na construção do futuro da Igreja e do mundo. Na sua última edição, em 2008, mais de 200.000 pessoas participaram.
“Os compromissos atenderão a diversos interesses, todos relacionados à questão ambiental vinculada à questão social, no Brasil e no mundo. O pano de fundo é a crise ecológica, manifestada pelas mudanças climáticas, que preocupa à Europa e ao mundo. É certo que questionaremos os agrocombustíveis, como o nosso etanol de cana, falsa solução para um problema muito mais sério e profundo que é o esgotamento do modelo de produção e de consumo, de desenvolvimento, de civilização”, relata o agente da CPT – Comissão Pastoral da Terra, coordenador de um projeto de apoio à articulação popular em defesa do rio São Francisco e assessor de D. Cappio, Ruben Siqueira.
Ele acredita que a repercussão da greve de fome está ainda se refletindo nas premiações que D. Cappio tem recebido. “O recurso da greve de fome nesses dois momentos demonstrou a crise de representação social e política que dificultou a expressão da sociedade civil”, reflete. Ruben acredita que a viagem de D. Cappio é o momento ideal para retomar essas discussões e a luta por outro tipo de desenvolvimento no São Francisco e no Semi-árido, o qual não comporta mega-obras hídricas.
Pensando nisso, o total desrespeito do governo aos povos indígenas será denunciado, já que alguns dos trechos da transposição afetam terras de nove tribos da região, como os Truká, os Tumbalalá, os Pipipã, entre outros. A idéia é lançar na ocasião uma campanha para pressionar o Judiciário brasileiro a julgar favoravelmente as Ações Diretas de Inconstitucionalidade que estão tramitando no Supremo Tribunal Federal contra a transposição e em defesa dos indígenas, e chamar a atenção das instâncias internacionais para essa questão.
A viagem será viabilizada pela colaboração entre Missão Central dos Franciscanos, Fundação Kant, Misereor, Adveniat, KOBRA entre outras organizações.
Para mais informações:
Assessoria de Comunicação do Projeto São Francisco
Tel.: 3329-5750
sfvivo@gmail.com
Visitem também a página web (em alemão) sobre a viagem de D. Luiz Cappio
* http://www.saofrancisco-2009.net